sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Um livro para compreender o desporto


O desporto sempre esteve intimamente ligado a várias formas educativas, culturais e formativas, o que fez com que o considerássemos uma escola de virtudes. O fair-play e o espírito desportivo (códigos de conduta entre desportistas não escritos) mostram-nos comportamentos exemplares no desporto.

Estão estes comportamentos ligados à Ética Desportiva e ao desenvolvimento moral do praticante ou competidor.

Mas a bivalência do desporto acaba por fazer despontar no seu seio as suas perversidades: a violência, o doping, a corrupção, a fraude desportiva, a morte súbita, as lesões permanentes, a exploração infantil e o treino intensivo precoce, assim como começam a ingerir-se no mesmo a política e a religião, sendo até visíveis no mesmo casos de racismo e de terrorismo.

Os interessados em obter este livro poderão contactar o seu autor através do e-mail arminocentes@gmail.com.

Índice - o óptimo e o péssimo do desporto

O índice seguinte permite perspectivar melhor todos os capítulos da obra e assim obter-se tanto uma visão global como mais detalhada da mesma:
...
p. 13 - Prefácio
p. 15 - Prólogo
p. 18 - Introdução
p. 25 - De que falamos quando falamos de desporto?
p. 30 - Os dinheiros do desporto dos dinheiros
p. 34 - Os mitos e o mito do desporto
p. 38 - O desporto e as suas especificidades
p. 41 - O espectador e o profissional do desporto
p. 46 - O espectáculo desportivo e os recordes
p. 53 - Do sistema e da entropia à autopoiese
p. 58 - Incongruências da lei desportiva
p. 68 - Contornar a lei
p. 71 - O desporto escolar e o deporto na escola
p. 75 - A semântica da língua de Camões e Pessoa
p. 78 - Paradoxos do desporto
p. 81 - Axiologia do desporto
p. 87 - Ética desportiva
p. 94 - Alguns exemplos…
p. 98 - … e ainda mais alguns exemplos!
p. 103 - Dilemas presentes no desporto
p. 106 - A bivalência do desporto
p. 109 - As mortes no estádio
p. 117 - A morbilidade
p. 122 - A questão do doping
p. 127 - A exploração infantil
p. 133 - Desporto e corrupção
p. 139 - Adulterar os resultados: a fraude
p. 143 - A violência na prática desportiva
p. 156 - Desporto, política e… terrorismo no desporto
p. 161 - Uma medalha com frente e verso
p. 164 - Uma modalidade: o karaté
p. 170 - Conclusão
p. 174 - Referências bibliográficas


O caminho da ética desportiva às perversidades no desporto percorre-se através do óptimo e do péssimo que esse desporto tem, revelando factos preocupantes que tanto o atravessam a ele próprio como à sociedade.

Tanto nos apresenta casos de fair-play e de espírito desportivo como processos que merecem o nosso vivo repúdio e subvertem os princípios basilares do desporto. Mas também nos revela que esses princípios existem e em muitos casos subsistem.

Começando por definir e explicar de que falamos quando falamos de desporto, pois não o podemos confundir com futebol ou com uma outra qualquer modalidade específica, este livro aborda os mitos e os paradoxos agregados ao desporto, a sua especificidade, a evolução do amadorismo ao profissionalismo até ao espectáculo, os recordes e os fenómenos económicos que lhe estão subjacentes, assim como é possível a lei ser contornada pelo próprio desporto.

Uma incursão pelo que deveria ser o desporto na escola também está presente, entrando-se a seguir concretamente na ética desportiva e na axiologia do desporto, para de seguida apresentar inúmeros factos que demonstram que tanto a ética como os valores existem no desporto.

Os dilemas existentes no desporto conduzem-nos à sua bivalência, para de seguida sermos transportados para as perversidades que existem no seu seio.

Desde a morte de Pavão, em 1973, até à morte de Fehér, em 2004, registaram-se durante a prática desportiva 15 mortes no futebol, 3 no basquetebol e outras 3 mortes no ciclismo, só no nosso país. Desde aí já se verificaram mais de uma dezena de mortes em Portugal. Ainda recentemente um basquetebolista e um guarda-redes de andebol faleceram de morte súbita, o que leva a ser equacionado neste livro os motivos da morte repentina de tantos desportistas.

Abordados também os problemas daqueles que sofrem lesões irreversíveis e ficam com sequelas ao longo da vida, nuns casos por acidentes provocados por adversários, noutros casos vítimas da tentativa de alcançarem os limites do quase impossível.

O doping, que aparece em toda e qualquer modalidade desportiva e em qualquer idade(em alguns casos em crianças com 13 e 14 anos) andando sempre à frente da investigação científica, e a corrupção (até em escalões juvenis) são igualmente dissecados, assim como as fraudes cometidas por atletas, jogadores e outros agentes desportivos tentando ludibriar os árbitros, os adversários, os espectadores e a verdade desportiva.

Crianças com 6 anos e 28 quilos de peso a levantarem 46 quilogramas em halteres ou a correrem os 42 quilómetros de uma maratona em 4h 30m introduzem-nos a exploração infantil existente no desporto e os sacrifícios a que são sujeitas estes seres ainda em desenvolvimento, e que deveriam ter uma formação global e harmoniosa. Dão-lhe então o pomposo nome de «treino intensivo precoce»...

A violência na prática desportiva (entre os intervenientes directos no desporto e em todas as modalidades) ocupa um lugar de destaque nesta obra, até porque as mais recentes pesquisas científicas põem de lado a teoria catártica do desporto e realçam que muitas vezes a violência nas bancadas é um produto da violência no interior da própria prática, mostrando-se de seguida como a política, a religião e os actos de terrorismo estão também presentes no desporto, despoletando por vezes também tanto a violência no seio do desporto como a violência associada a este.

O caminho da ética desportiva às perversidades no desporto percorre-se aqui através de uma leitura obrigatória, devendo nós reflectir sobre os seus conteúdos e a eles acrescentar também o nosso contributo, não permitindo que a prática desportiva continue a ser manchada por estes fenómenos e fazendo com que a mesma regresse à salutar competição porque sem ela também não há cooperação, nem progresso nem evolução.

Este é necessariamente um livro inacabado. Erradicar com as perversidades no desporto é um imperativo pedagógico, quer sejam corrupções, subornos, fraudes, explorações, manipulações, violências, ingerências políticas, religiosas, económicas ou até actos de terrorismo. Estas não podem existir onde devem existir valores.


É um livro inacabado. Compete-nos a todos nós completá-lo. Em palavras e em actos.


Daí o facto de ser obrigatória a sua leitura.


Após essa leitura, a nossa visão do desporto passa a ser radicalmente diferente...